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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Parecia-se com um ser humano...

Voltou ontem a ser exibida num dos canais mais mediáticos da televisão portuguesa a mini-série "A vida privada de Salazar - As paixões e os Amores". E assim, e ao contrário do que provavelmente pensaria a maioria dos portugueses, ficamos a saber que Salazar era um ser humano parecido com tantos outros: tinha vida privada, afectiva, sonhava, amava...nada que o perfil do Ditador pudesse mostrar.
Com esta mini-série ficamos ainda a saber que Salazar - o "cupido de Santa Comba Dão", tal como o caracteriza a sinopse desta série, – não só teve vários amores e paixões como prolongou até bem tarde(na idade, pois claro!) a sua actividade sexual, forjando até a normalização do acto tantas vezes pedida pelo seu amigo Cerejeira.
Como ninguém quer saber da história politica contemporânea portuguesa para nada, e como nas escolas é tão difícil explicar às crianças que afinal Salazar não foi bem um Ditador(porque a moiria dos pais dos alunos viveu no regime), ou que o Estado Novo não adquiriu todas as características de um regime fascista, tal como o concebeu Mussolini, nada melhor que contar a vida do Ditador através da perspectiva humanizada do homem.
E assim se procura “re”escrever mais um capítulo da nossa história contemporânea, introduzindo na ficha de identidade de Salazar (o homem que era tão necessário para endireitar as finanças que até me faz lembrar um discurso parecido nos dias que correm sobre um outro homem tão sério, tão sério, que cada português precisaria de nascer duas vezes para atingir tanta seriedade) os distintivos mais desconhecidos do homem que afinal também tinha sentimentos.
Mas por mais estórias que nos contem, Salazar foi um Ditador de um regime fascista que perseguiu, torturou, matou! Um regime que apregoava a miséria feliz, na qual uma sardinha bastava para uma família bem portuguesa. Faltam-nos séries que contem esta outra História! A que interessa como lição para o futuro.